O mais difícil na hora de escrever, pra mim, é encontrar esse sossego e em parte, também, uma solidão gostosa. Uma sensação de aconchego às palavras e paz comigo mesma. Encontrei isso no último final de semana. Estava numa casa a beira da praia, mas São Pedro não parecia estar ciente. Chovia, como chovia! Os meninos jogavam poker, e eu, acompanhada com a minha teimosia de não aprender tal jogo, peguei um pedaço de papel, uma caneta e me pus a escrever. Não adiantava que me chamassem, mal havia começado e já estava revirando meus pensamentos e tentando passá-los para o papel. Fui interrompida pela tinta, ou melhor, pela ausência desta. Parte dos meus dizeres ficaram perdidos em círculos na tentativa de fazê-la voltar à sua função. Por fim, fui vencida. Preferi mudar o rumo, ao invés de tentar transcrever, resolvi apenas sentir.
Virei-me, então, à varanda. Chovia, como chovia! E comecei a admirar aquelas gotas caindo! Logo eu que sempre reconheci sua imensidão, recolhendo quando pequena as roupas do varal, mas que nunca tinha percebido a beleza que ela pode proporcionar. Ainda que por vezes muito orgulhosa de minha sensibilidade, não percebia que o gosto por dias ensolarados tinha colocado uma venda em meus olhos. Como não tinha visto? O cinza dos céus se juntando ao azul das águas, o vento projetando as árvores delicadamente e, para completar, barcos estáticos quase ao horizonte. De repente meu medo, se tornou em calmaria. Naqueles instantes de observação entendi que mesmo não sabendo que procurávamos Sol, São Pedro tinha um objetivo. Chovia, como chovia!
Ricardo se sente responsável por pelo menos um pouco da retirada dessa venda. O resto dos louros ele deixa para Sao Pedro que, convenhamos, fez bem seu trabalho esses dias.
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