quinta-feira, 18 de novembro de 2010

A propósito

Sábias agudezas... refinamentos...

- não!

Nada disso encontrarás aqui.

Um poema não é para te distraíres

como com essas imagens mutantes de caleidoscópios.

Um poema não é quando te deténs para apreciar um detalhe

Um poema não é também quando paras no fim,

porque um verdadeiro poema continua sempre...

Um poema que não te ajude a viver e não saiba preparar-te para a morte

não tem sentido: é um pobre chocalho de palavras.

Mario Quintana


Vamos fugir. Reescrever eternamente o que quisermos nessas páginas brancas. Não se preocupar com nada além de nós mesmos. Ser alguém. Eu mesmo. Deixar a terminação “na vida" para eles. Não sei o que quero daqui pra frente. Não quero um salário e profissão bem conceituada. Me quero. Quero ser eu mesma. Por que não só isso? Não quero a coerência dessas linhas imaginarias. Quero escrever sem paragrafação, sem regras desnecessárias, sem modelos estúpidos. Quero viver. Por que tomar a responsabilidade de ser responsável pelo resto da minha vida agora? Quero decisões pra agora. Por que decidir meus 30 anos? Quem serei eu até lá? Como serão as coisas por lá? Quem são eles pra me dizerem que estou fora dos padrões, se o padrão que eles criaram funciona nada ou pouquíssimo? Quem são eles pra me falarem sobre a importância dos valores em meio a esse caos moral? Quem são eles pra me cobrar uns verbos no futuro cheios de prosperidade, se sabem tão pouco quanto eu o que fazem aqui? Quero sentar e apreciar o mundo aí fora antes de saber o que fazer no meio dele. Preciso conhecer mais. Bem mais do que eles, com certeza... Preciso saber das minhas opções. Como talvez eles nunca tenham tido oportunidade.

Vamos fugir. As minhas palavras não me cobram. Elas terminam por aqui. E se não combinar mais com o que sinto? Reescrever e rir das antigas ideologias. Eternamente seguiREI essas páginas em branco.

terça-feira, 14 de setembro de 2010

"Se me pedissem um exemplo de amizade...

... Eu daria o da nossa."

Parei para pensar esses dias e conclui que aquela antiga, ainda está aqui. E ainda está forte demais, pelo menos para mim.

Não mostraria a nossa pelo contato diário, mas justamente pelo contrário. Daria a nossa como exemplo justamente por esta aguentar a distancia tranquilamente. Por a cada telefonema ou encontro o tempo parecer ter se congelado desde a última vez. Apresentaria a nossa pelo tempo afastadas e por ele não ter significado nada. Por termos percebido o quão tolas fomos de assim ficarmos. Pelas lembranças carinhosas de quando éramos 'unha e carne'. Por causa das fotos, da caixa, do anel, das risadas - quantas!-, das viagens, das choradeiras, das cartas, do discurso em aniversário, do apoio quase familiar... Daria a nossa como exemplo, pela confiança que não se abalou em momento algum. Pelos pedidos de socorro. Ou apenas pelas besteiras, meras sacanagens do dia a dia. Daria a nossa amizade como exemplo pelo carinho que ainda tenho por ela.
Mas, principalmente, pela segurança que ela ainda me traz.


Dedicado à minha ex-atual-futura "irmã".

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Arte Nacional

Somos tão bons em valorizar a cultura exterior que muitas vezes deixamos que esta nos apresente a nossa própria.

Assim acontece com dois de meus artistas favoritos. Sou apaixonada pela delicadeza que o grafite pode alcançar na mão deles. Os contornos finérrimos dão lugar a rostos amarelados e, por muitas vezes, deformados, expressando uma realidade social de saltar os olhos- seja pelo efeito de terceira dimensão, seja pela expressividade que os coloridos e formas ganham. Confirmei tais aspectos ao ver de perto a exposição Vertigem.
Ainda não sabe de quem estou falando?
Prazer, Os Gêmeos. Otávio e Gustavo Pandolfo nascidos em São Paulo e responsáveis por diversas obras no exterior - Nova York, Milão, Paris, Tokio, Hong-Kong, Londres, Espanha, Escócia..-, mas ainda pouco conhecidos no Brasil.
Aí vai uma palhinha...






Vale a pena dar uma conferida também na galeria de imagens da Lost Art .


VALORIZE.

terça-feira, 7 de setembro de 2010

6/9

Sexo nos dias atuais virou sinônimo de pornô. E o dia 6/9 nada mais é do que uma criação publicitária. Não tiro, porém, a razão dos meus futuros companheiros. O sexo merece um lugar de destaque, um dia para homenageá-lo me parece adequado.


Primeiro um olhar, um longo olhar. E lá vamos nós de novo. Um beijo daqueles que nenhum filme já viu. Toco suas costas e a pele vem toda a saltar pedindo carinho. Você está perto. Não preciso dizer, você sabe. Sincronizados nos movemos na imensidão da noite como um só. Segura meu rosto, me conduz em nossa dança. Essa que entre quatro paredes vale tudo. Essa que parece aguçar qualquer sentido. Essa que só nós dois conhecemos. Essa que ninguém pode palpitar. Nossa dança, a noite toda.


Todo o seu corpo é um órgão sexual, com exceção talvez das clavículas.
(Luís Fernando Veríssimo)

terça-feira, 24 de agosto de 2010

Em época de eleição, vale lembrar...

Fraldas e Politicos devem ser regularmente trocados e pelas mesmas razões.
(Eça de Queiroz)

(Certa) Narrativa de Nós Dois

Já desejei, por muitas vezes, que a tecnologia tivesse chegado a tal ponto de transcrever meus pensamentos flutuantes na hora de dormir. Ontem não foi diferente.
Tentarei, de qualquer forma, transcrevê-los.


- Certo alguém falou sobre você a Ela. Despertou até um certo interesse, sabia?

Esse mesmo alguém passou o contato. Certas conversas surgiram e seguiram com leveza. Após certo tempo, Ela já sentia um friozinho na barriga ao ouvir seu nome. Não estava muito certa do que era, só sabia que havia ali algum... certo sentimento. Veio então o primeiro convite, um cinema. Seria certo aceitar? Era ainda muito nova, seria seu primeiro encontro. O tão incerto primeiro beijo. "Está tudo certo, vai sair tudo como eu imaginei", repetia mentalmente no caminho.

Chegou. Porém, a incerteza do escuro do cinema não lhe ajudou. De repente, certa mão cheia de convicção se juntou à dela. E esta, trêmula, implorava silenciosamente para seus movimentos saírem certos. Em frações de segundos, toda ansiedade deu lugar a um certo... Ela não conseguia pensar em nenhuma sensação plausível para tal. Só queria entregar-se a... aquilo. Nada lhe parecia tão bom quanto à incerteza daquele momento.

Alguns meses depois, eles tornaram a ser bons amigos. Ele e Ela não compartilhavam mais tais incertezas. Mas, o destino não mostrou paciência. Sem mais delongas armou para que o processo recomeçasse. Certas conversas surgiam e seguiam com aquela leveza. Uma leveza que certamente não era natural. Era exclusiva.

Dia 6, certa decisão, não tão certa assim, mudou o rumo dos acontecimentos. Dois dias depois, lá estavam Ele e Ela, lembrando o incrível gosto da incerteza. E assim seguiu-se, uma inda e vinda. Tantas incertezas. Mas para mim já estava certo: Aqueles dois gostavam mesmo é da adrenalina de não saber o que vem em seguida.

Quatro anos depois, porém, essa minha certeza mostrou-se falha. Em confissão, Ela veio me contar. Por trás de todas incertezas, havia uma não tão incerta assim que eles não deixavam transparecer. A paixão não era pela incerteza, muito menos pela adrenalina. A paixão era pela certeza. Certeza de que o tempo iria passar, e que, certo dia somente aquelas incertezas seriam as certas. O tempo todo, Ele era sua maior certeza.


quarta-feira, 28 de julho de 2010

De maior

Final de férias. Para mim, este funciona sempre da mesma forma. Sensação de recomeço e volta das responsabilidades trazendo com estes uma auto-avaliação das férias: Eu fiz tudo que tinha em mente? E nessas curtas duas semanas, pela primeira vez, eu atingi meus objetivos. Vi amigas, coloquei a conversa em dia, visitei a família, matei a saudade, fiz passeios turísticos, conheci melhor minha cidade... É claro, sempre falta uma pessoa ou um lugar que "completaria meus planos", mas, de fato, a maior parte foi realizada.


Enfim, estou mais realista. Pela primeira vez não me senti a criança do carrinho que deveria estar no supermercado apenas como companhia. Não! Eu preciso aprender. Afinal, a maioridade está vindo e novos afazeres virão junto à ela. Costuma-se resumir estes em dirigir e 'saber se virar'. Porém, acho que vão além. Não ser mais o bebê da família, é não esperar por diferenciação nos mimos, é entender os problemas que dávamos um jeito de não ver e ainda sugerir e colaborar com sugestões, é ter que colocar em prática todos os anos de observação das tarefas domésticas entediantes, é ser autocrítico a ponto de decifrar quem você é - ou pelo menos tentar-, é sentir uma nostalgia gostosa ao lembrar-se dos anos passados (há tão pouco tempo), é ao mesmo tempo desejar a liberdade infantil e os compromissos adultos, é ter vontade de poder fazer mais pelo mundo, é fazer promessas falhas - ou verdadeiras, só o tempo saberá... -, é sonhar com o futuro mesmo sem saber como ele será, é errar e errar e errar (...), é apaixonar-se muitas vezes- mesmo que por uma só pessoa-, é começar a se diferenciar, é iniciar a construção de sua personalidade, é estudar enlouquecidamente para o vestibular e o esperar passar para riscar aquela lista de mais sonhos, é pensar sempre na vida adulta, mas morrer (secretamente) de saudade da aurora da vida, é isso, é aquilo...


Muito mais complexo do que ganhar um carro e saber se virar, não? Pelo menos me parece até agora...

quinta-feira, 22 de julho de 2010

Vídeo - "Modinhas"

Fui apresentada essa semana a um tipo de videoblog, o " Não Faz Sentido". Assisti a vários. E mesmo que eu tenha discordado de um ou outro argumento ou não tenha visto graça em alguns momentos, um chamou minha atenção. Falar sobre "modinhas" está na moda, mas o autor o faz de maneira clara e simples - e talvez até muito direta. Palavrões a parte, esse vídeo mostra um pouco da minha postura frente à tal assunto.
Clique aqui para assistir.

segunda-feira, 19 de julho de 2010

Entendido, SP


O mais difícil na hora de escrever, pra mim, é encontrar esse sossego e em parte, também, uma solidão gostosa. Uma sensação de aconchego às palavras e paz comigo mesma. Encontrei isso no último final de semana. Estava numa casa a beira da praia, mas São Pedro não parecia estar ciente. Chovia, como chovia! Os meninos jogavam poker, e eu, acompanhada com a minha teimosia de não aprender tal jogo, peguei um pedaço de papel, uma caneta e me pus a escrever. Não adiantava que me chamassem, mal havia começado e já estava revirando meus pensamentos e tentando passá-los para o papel. Fui interrompida pela tinta, ou melhor, pela ausência desta. Parte dos meus dizeres ficaram perdidos em círculos na tentativa de fazê-la voltar à sua função. Por fim, fui vencida. Preferi mudar o rumo, ao invés de tentar transcrever, resolvi apenas sentir.
Virei-me, então, à varanda. Chovia, como chovia! E comecei a admirar aquelas gotas caindo! Logo eu que sempre reconheci sua imensidão, recolhendo quando pequena as roupas do varal, mas que nunca tinha percebido a beleza que ela pode proporcionar. Ainda que por vezes muito orgulhosa de minha sensibilidade, não percebia que o gosto por dias ensolarados tinha colocado uma venda em meus olhos. Como não tinha visto? O cinza dos céus se juntando ao azul das águas, o vento projetando as árvores delicadamente e, para completar, barcos estáticos quase ao horizonte. De repente meu medo, se tornou em calmaria. Naqueles instantes de observação entendi que mesmo não sabendo que procurávamos Sol, São Pedro tinha um objetivo. Chovia, como chovia!

terça-feira, 13 de julho de 2010

Início do que?

Procurava um propósito para começar isto aqui há alguns anos, mas percebi que era mais simples do que eu imaginava: eu só queria escrever. Sobre o que, para quem e com que objetivo ainda não descobri. Mas não acho que seja preciso. A verdade é que o papel e a caneta sempre foram meus fiéis companheiros e a vontade de escrever presente em mim de uma forma que nem eu consigo explicar. Apenas preciso me refugiar, contar o que não posso ou não quero dizer à ninguém. Paradoxal, eu sei. Fazer um blog público para escrever sentimentos particulares não parece uma boa idéia, mas a vontade de escrever é maior. E se o antigo caderno não está dando conta do pouco tempo e velocidade dos meus pensamentos, por que não tentar aqui?
Sobre o que vou falar? Agora você me pegou! O que posso garantir para você, possível-leitor-seja-lá-quem-você-for, é que terá de tudo um pouco- do futebol, passando pela arte, com um pouco de moda, um tiquinho de política, crítica social, decoração- tudo escrito de forma livre e sem censura ou estruturas (argumentativas, poéticas, narrativas...) pré-fixadas por alguém. Amém.
Será notável também que o número de textos e dramatizações aumentarão durante o período chamado de TPM, essas três letras que atormentam duas semanas inteiras de cada mês e fulminam brigas e crises infantis totalmente involuntárias. Porém, fiquem tranquilos, alguns dias depois me dou conta do quão ridícula eu fui e volto atrás.
Por enquanto, é só. Até breve.