terça-feira, 24 de agosto de 2010

(Certa) Narrativa de Nós Dois

Já desejei, por muitas vezes, que a tecnologia tivesse chegado a tal ponto de transcrever meus pensamentos flutuantes na hora de dormir. Ontem não foi diferente.
Tentarei, de qualquer forma, transcrevê-los.


- Certo alguém falou sobre você a Ela. Despertou até um certo interesse, sabia?

Esse mesmo alguém passou o contato. Certas conversas surgiram e seguiram com leveza. Após certo tempo, Ela já sentia um friozinho na barriga ao ouvir seu nome. Não estava muito certa do que era, só sabia que havia ali algum... certo sentimento. Veio então o primeiro convite, um cinema. Seria certo aceitar? Era ainda muito nova, seria seu primeiro encontro. O tão incerto primeiro beijo. "Está tudo certo, vai sair tudo como eu imaginei", repetia mentalmente no caminho.

Chegou. Porém, a incerteza do escuro do cinema não lhe ajudou. De repente, certa mão cheia de convicção se juntou à dela. E esta, trêmula, implorava silenciosamente para seus movimentos saírem certos. Em frações de segundos, toda ansiedade deu lugar a um certo... Ela não conseguia pensar em nenhuma sensação plausível para tal. Só queria entregar-se a... aquilo. Nada lhe parecia tão bom quanto à incerteza daquele momento.

Alguns meses depois, eles tornaram a ser bons amigos. Ele e Ela não compartilhavam mais tais incertezas. Mas, o destino não mostrou paciência. Sem mais delongas armou para que o processo recomeçasse. Certas conversas surgiam e seguiam com aquela leveza. Uma leveza que certamente não era natural. Era exclusiva.

Dia 6, certa decisão, não tão certa assim, mudou o rumo dos acontecimentos. Dois dias depois, lá estavam Ele e Ela, lembrando o incrível gosto da incerteza. E assim seguiu-se, uma inda e vinda. Tantas incertezas. Mas para mim já estava certo: Aqueles dois gostavam mesmo é da adrenalina de não saber o que vem em seguida.

Quatro anos depois, porém, essa minha certeza mostrou-se falha. Em confissão, Ela veio me contar. Por trás de todas incertezas, havia uma não tão incerta assim que eles não deixavam transparecer. A paixão não era pela incerteza, muito menos pela adrenalina. A paixão era pela certeza. Certeza de que o tempo iria passar, e que, certo dia somente aquelas incertezas seriam as certas. O tempo todo, Ele era sua maior certeza.


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